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Nascida estrela das mais tenebrosas noites

Que habitam a pulsação dos séculos,

Alma alada de sonhos concretizados no sangue

Das almas fundidas em cinza fulgurante…

 

Abre-se em fogo aos oceanos da infinita obscuridade,

Vogando nas marés da noite sedutora,

Demoníaca essência em salvação redimida

Pelo melancólico olhar de um deus que sonha

Na dispersão milenar.

 

Flor de luto esmagada contra as pedras do chão,

Sangrante de seiva,

Derramada em mortal fulgor na essência dos condenados

Que o céu encarcerou na obscuridade dos anos

Que consomem o mundo em redor.

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Origem de cintilações difusas

Na constelação de todos os mistérios da essência,

Este é o corpo que me abriu as portas

À centelha do caos que inebria os sentidos

E eleva a alma à imensidão do sonho.

 

Foi este fulgor de carne e de cinza

Que abraçou as raízes do meu corpo entorpecido

Para que os silêncios mirrassem na minha alma

E o espírito pudesse crescer

Como espelho iluminado de todos os sentidos

E devoção transfigurada em eclipses de olhar.

 

Espelho de conflagrações silenciadas

Sacralizado no altar do sacrifício do meu sangue,

Este é o sonho que incendeia a minha vida

E eu sou todas as horas

No infinito que me ergueu árvore nua

De braços abertos contra a convulsão dos deuses.

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Não como um reflexo de nuvens de passagem

Ou como o anjo que desfaleceu no meu coração,

Mas como a tempestade que fustiga o mundo

Estendido sob o seu manto de abrigados céus…

Não como o corvo negro de todas as profecias

Ou o nocturno rouxinol das melodias celestiais,

Nem ainda como a borboleta de alvas asas

Que rasga todas as minhas Primaveras…

Não como todas as entidades míticas que não sou,

Mas como o murmúrio da imaginação viva em mim,

Abrir-se-ão ao vento as minhas asas de poesia

E, no silêncio de todos os séculos,

Voarei na brisa de todas as memórias.

 

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