Criada como uma insónia nas marés do desalento

Onde o fogo incendeia os cantos sob a sombra,

Dispersos no eco de um grito que pranteia a eternidade

Cantando a uma só voz…

 

O espelho planta a renúncia sobre as raízes de um corpo

Que se abre entre fragmentos de Santíssima Trindade

E as folhas tombam sobre os túmulos desertos

Como esqueletos vazios que divagassem entre a luz

E se quedassem como hinos na partitura do abismo.

 

A noite devaneia entre as dispersões do mínimo,

Mergulhada entre os oceanos do cosmos primordial,

E o gelo tomba nos braços da árvore desfalecida

Que invoca o grito nos espectros da bruma apagada

E transparece no ritmo das harmonias do caos.

 

E o fogo desata os corpos num requiem de deserdados,

Sinistra procissão de passos até às lágrimas do ser,

Como um sol que se rasgasse até às entranhas da obsessão

Errante debaixo dos véus de uma actriz martirizada

E plantada sobre a cova adormecida entre ninguém

E o abraço do absoluto num arco-íris cinzento.

 

Imolada à insaciável fome dos céus desertos

Em lágrimas de chuva banhando o sangue da terra.

Comments Nenhum comentário »

Hoje o silêncio parece um refúgio simpático

Para a minha voz

E o cansaço da batalha pulsa no meu coração cansado

Como um murmúrio de corvo moribundo.

A minha mão suspira sobre a espada morta

E, perante a espada, eu juro

Não voltar a erguer as mãos ao altíssimo céu do sonho

Que paira sobre a memória do silêncio fragmentado.

 

Hoje, o meu peito sangra no limiar do esquecimento

E o abismo abre-se sobre a minha garganta amordaçada.

Juro aos deuses do oráculo perdido

Que a minha pena não se voltará erguer nos gritos do anseio

E que a banalidade dos ecos que me cativaram a esperança

Não deixará de morrer na mordaça do meu cárcere interior.

Deixo na pele os traços de um papiro ensanguentado

E bailo no limiar do abismo com a morte como Superior.

 

Hoje, o meu grito afoga-se nas marés da pedra tumular

E a lápide desertificada do que apaguei no destino

Queima as fogueiras do corpo que dorme dentro de mim

Como num sacrifício de esferas imoladas no altar do risco.

Durmo no sudário de um manto que me ensanguenta as mãos

Com o convulsionar moribundo das palavras amordaçadas

E, perante a cruz onde se estende o corpo da esperança desvanecida,

Juro aceitar o silêncio

Como reverso do meu adeus adormecido.

Comments Nenhum comentário »

Nascida estrela das mais tenebrosas noites

Que habitam a pulsação dos séculos,

Alma alada de sonhos concretizados no sangue

Das almas fundidas em cinza fulgurante…

 

Abre-se em fogo aos oceanos da infinita obscuridade,

Vogando nas marés da noite sedutora,

Demoníaca essência em salvação redimida

Pelo melancólico olhar de um deus que sonha

Na dispersão milenar.

 

Flor de luto esmagada contra as pedras do chão,

Sangrante de seiva,

Derramada em mortal fulgor na essência dos condenados

Que o céu encarcerou na obscuridade dos anos

Que consomem o mundo em redor.

Comments Nenhum comentário »

Origem de cintilações difusas

Na constelação de todos os mistérios da essência,

Este é o corpo que me abriu as portas

À centelha do caos que inebria os sentidos

E eleva a alma à imensidão do sonho.

 

Foi este fulgor de carne e de cinza

Que abraçou as raízes do meu corpo entorpecido

Para que os silêncios mirrassem na minha alma

E o espírito pudesse crescer

Como espelho iluminado de todos os sentidos

E devoção transfigurada em eclipses de olhar.

 

Espelho de conflagrações silenciadas

Sacralizado no altar do sacrifício do meu sangue,

Este é o sonho que incendeia a minha vida

E eu sou todas as horas

No infinito que me ergueu árvore nua

De braços abertos contra a convulsão dos deuses.

Comments Nenhum comentário »

Não como um reflexo de nuvens de passagem

Ou como o anjo que desfaleceu no meu coração,

Mas como a tempestade que fustiga o mundo

Estendido sob o seu manto de abrigados céus…

Não como o corvo negro de todas as profecias

Ou o nocturno rouxinol das melodias celestiais,

Nem ainda como a borboleta de alvas asas

Que rasga todas as minhas Primaveras…

Não como todas as entidades míticas que não sou,

Mas como o murmúrio da imaginação viva em mim,

Abrir-se-ão ao vento as minhas asas de poesia

E, no silêncio de todos os séculos,

Voarei na brisa de todas as memórias.

 

Comments 3 comentários »

Blog sponsored by Hora Absurda and Ashera Domains